06
ago/17

Quando o silêncio estraga a relação

Renato e Roberta estão discutindo a relação. Ela está furiosa porque ele fez algo que a magoou e ele por sua vez, também está bravo devido a reação inadequada dela de te-lo exposto. Eles estão exacerbados em suas emoções, até que um deles se cala, diz que não dá mais para continuar a conversa, até que o casal passa quatro dias sem conversar e sem trocar olhares. Resultado: Ambos emburrados, conversa não resolvida e um muro de silêncio afastando um do outro.

Muitos casais acham que o silêncio pode auxiliar nas brigas conjugais. Algumas pessoas chegam até a dizer que “ficar quieto” ajuda o casal a se acalmar. De fato, há casos em que dar um tempo para os ânimos abaixarem é excelente, mas não quer dizer que não tenhamos que voltar no assunto da briga mais tarde.

Entre os infinitos rumos que o silêncio pode levar a relação, há um deles que pode ser venenoso e destrutivo para o casal: É quando as pessoas usam o silêncio como instrumento de poder e de controle sobre o outro.

Analise esses dois exemplos abaixo:

O casal A se dá muito bem, mas como todos os casais, sofrem um episódios curtos de conflitos. O marido chega em casa nervoso do trabalho, justamente no dia em que a mulher está na TPM. Ele resolve meter a boca nas coisas que ela está fazendo, porque ela não está controlando o gasto do mercado e as luzes da casa vivem acesas, sem ela conferir se os filhos estão ou não cuidando do consumo excessivo. Ela ouve as reclamações, fica quieta, desliga as luzes da casa e vai preparar a janta para as crianças. Esse é um exemplo onde você percebe que o silêncio é construtivo e conveniente, pois a esposa já entendeu que o marido está nervoso com alguma coisa do trabalho e “ficar em silêncio” fará naturalmente com que ele se acalme.

Já o casal B entra em conflito por que ele a tratou mal na frente dos amigos. Ele justifica, tentando provar que não fez nada de mais e ela se irrita tanto que o chinga. Ele irredutível, fica bravo e se nega a conversar, bantendo a porta do quarto. Ambos ficam sem se falar e quando ela tenta novamente conversar com ele, ele finge que não está escutando, como forma de provar que está certo. Esse sim, é um exemplo onde o silencio é nocivo e tóxico para a relação, porque o casal não resolveu o problema e o silêncio foi utilizado como arma para se ter o controle da situação.

Se o casal não cuida, o silêncio vai formando um muro tão grosso entre eles, que a relação vai esfriando e ambos começam a ficar distantes, sempre esperando que o outro mude, mas eles mesmos não fazem nada para mudar. É a sua mudança que fará com que o outro mude.

Não pense em continuar se utilizando do silêncio para ganhar uma briga só porque dá certo hoje, pois chegará o momento em que o outro também passará a agir assim e você não irá gostar de sofrer essas conseqüências, ou vai?

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Karine Rizzardi
CRP 08/09524
A autora é psicóloga especialista de Casais e Família

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