09
set/18

Faça um ninho de águia para seus filhos

Muitos dizem que não há manual de instrução para educação de crianças, mas há sim, diretrizes que nos capacitam como pais para lidar com o dia a dia de nossos filhos.

Certa vez, enquanto eu visitava um Museu de História Natural, me atentei a perceber como é que a águia faz o ninho para seus filhos. Já estudei sobre comportamento de águias anos atrás e admiro sua singularidade. Não é a toa que a águia está nos emblemas dos EUA como símbolo de força, coragem e poder e se você ler a bíblia, perceberá que em vários momentos é citado que quando esperamos em Deus, Ele renovará nossas forças e nos dará “olhos de águia”. É importante este comentário, porque águias sempre enxergam além, sempre voam mais alto e mais longe, pois não se contentam em enxergar a vida em um ângulo raso.

Águias tem muito a nos ensinar e só de perceber como elas lidam com as tempestades, já nos serve de grande lição nas condutas da vida.

Observe primeiramente, a forma que constroem seus ninhos e que tem haver com educação de filhos: Elas o fazem no mais alto dos penhascos e a estruturam em três camadas: A primeira delas é de pena, onde extrai partes de seu próprio corpo para dar aconchego e proteção aos seus filhotes. Conforme eles vão crescendo, a águia vai tirando pena a pena, uma a uma, até eles chegarem na segunda camada: os gravetos. Perceba que neste momento, a “bundinha” dos filhotes não está mais sobre as penas gostosas e macias, mas passam a ter que lidar com a secura dos galhos onde os filhotes são submetidos. Passado um tempo, a águia vai tirando um a um dos gravetos, até que os fazem entrar em contato com a terceira camada do ninho que são os espinhos. Neste momento, os espinhos vão espetando e incomodando tanto, que os tiram da zona de conforto e isso os obriga a voar para descobrir o mundo e explorar suas forças.

Que grande manual temos em nossas mãos quando entendemos que ajudamos nossos filhos a crescerem quando “construímos ninhos de águias” para eles. Pais que deixam seus filhos sempre na primeira camada, ou seja, nas penas, não contribuem com o crescimento, pois os filhos nunca vão se despertar a descobrir suas próprias habilidades, justamente porque não vão querer deixar o conforto e a proteção que as penas trazem. Quando os estimulamos a sentirem os gravetos e os espinhos nos momentos certos, certamente estamos contribuindo para enxergarem a vida com “olhos de águia”, olhando sempre a frente e acima de toda e qualquer circunstância.

Fazendo isso, os ajudamos a lidar com os momentos críticos da vida, pois se você observar, na hora de uma tempestade, todas as aves do céu se recolhem para procurar abrigo seguro, mas a águia é diferente. Ela voa acima, ela voa acima das nuvens e fica assistindo as rajadas de trovão e ventos contrários de forma que aquilo não lhe atinge. Nós, muitas vezes, nos primeiros sinais de perigo já estamos com medo, mas quem tem “olhos de águia”, vai olhar sempre além. O ar de tranqüilidade da águia diante do perigo parece zombar da tempestade, ao desafiar as forças na emoção de atravessar as turbulentas correntes de ar, navegando por cima delas com graça e controle.

Com filhos e durante nossa vida, certamente passaremos por tempestades que nos assustam, mas tal como escrito a anos, se confiarmos em Deus, nós voaremos como águias e enxergaremos como elas, porque veremos além das circunstâncias e nunca nos esqueceremos que por trás de grandes nuvens, lá está o sol, pronto para brilhar e mostrar a leveza e a delícia de um dia ensolarado e quente.

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Karine Rizzardi
CRP 08/09524
A autora é psicóloga especialista de Casais e Família

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