17
jun/18

As “bolachas” da vida

Vou te contar uma história que talvez você nunca mais esqueça.

Apresento-lhe a vida de uma família onde o maior sonho do pai, da mãe e dos três filhos era fazer um cruzeiro marítimo. Eles só tinham um problema: O pai era assalariado, a mãe não trabalhava fora de casa e somente dois irmãos tinham emprego, mas ganhavam muito pouco para poder ajudar com os custos.

Houve uma noite onde todos se reuniram e um compartilhou com o outro o quanto eles gostariam de viajar, pois não haveria sonho que superasse a alegria de fazer uma viagem em alto mar, com todas as maravilhas que pudessem contemplar. O sonho era tão profundo que o pai esperançoso levou a sério a conversa e decidiu:

_ Pessoal, nós não temos dinheiro, mas vamos trabalhar unidos para conseguir dinheiro e quando fizermos um caixa que cubra os gastos, nós realizamos esse sonho.

Todo mundo pulava de alegria e até o caçula que era mais preguiçoso se propôs a fazer bico de trabalho para também ganhar dinheiro e acelerar o processo da viagem. Por fim, todos se focaram e se esforçaram dias e dias, até que em nove meses conseguiram todo o valor que precisavam.

_ Só tem um “porém”, disse o pai. “Nós já arrecadamos todo dinheiro do cruzeiro, mas não temos como pagar comida para comer naqueles restaurantes chiques. Se vocês querem ir, teremos que fazer bolachas em casa e levar para comer todos os dias.”

– Mas isso não é problema para nós, pai! Nós nos contentamos com qualquer coisa, desde que realizemos este sonho. (E lá fizeram vários potes de bolachas para levar na viagem até que finalmente chegou o grande dia e foram sorridentes para o porto).

No primeiro dia, eles ficaram tão extasiados e felizes com aquela descoberta, que mal perceberam que estavam comendo bolacha no café, no almoço e na janta.

Segundo dia, a mesma coisa, pois o que importava era a diversão.

No terceiro dia, a bolacha começou a pesar, pois comer só aquilo em todas as refeições do dia, ninguém merece.

Quarto, quinto e sexto dia, já estavam quase desanimados.

O pai, entristecido e humilde, sentiu seu coração apertado por não conseguir pagar o que desejava a sua esposa e filhos e então resolveu dizer a todos para se arrumarem que naquele último dia, ele lhes pagaria tudo o que eles quisessem comer, mesmo que ele se endividasse.

Quando foram ao refeitório, desfrutaram tudo que tinha para comer até não agüentarem mais. Quando o pai foi pedir o valor da conta, a garçonete lhe diz:

_ Me desculpe meu Senhor, mas todas as refeições já estão inclusas no preço do cruzeiro. O Senhor não precisa pagar por nada que consome aqui.

Moral da história: Muitas vezes nós comemos “bolacha” quando perdemos tempo com coisas insignificantes na vida. Assim como aquela família não aproveitou o que tinha de melhor na viagem, muitos não aproveitam realmente o que a vida pode proporcionar porque supervalorizam as dificuldades, discussões impensadas e mágoas retidas. A vida é como uma viagem que não pode ser repetida, porque o que já foi, já foi e você tem o direito de viver com todos os créditos da felicidade, porém se submete a contentar-se com as ansiedades temporárias da vida.

Ouvi essa história quando era criança e nunca mais esqueci. Espero que você possa leva-la com você com a mesma mensagem subliminar que ela passa. Não perca tempo com pormenores. Temos urgência em ser feliz e isso começa quando você deixa de comer “bolachas”.

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Karine Rizzardi
CRP 08/09524
A autora é psicóloga especialista de Casais e Família

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