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out/18

A força da família contra as drogas

Toda vez que a temática “drogas” vem a tona, a associamos com a imagem do jovem. Trata-se de uma distorção. O problema de dependência química é do adulto, pois é ele o responsável de fazer com que o filho não se envolva com as drogas e o primeiro passo para isso ocorrer, é a velha e conhecida frase de todos: manter o diálogo.

Dentre as reações mais comuns quando o assunto é droga, é ver pais olhando com temor (se o filho ainda não se envolveu) ou a caça de culpados (se o contato com as drogas já é fato). Em ambas as situações, a sensação de impotência e o sentimento de fracasso é inevitável.

Além do diálogo, cabe também o bom exemplo e para isso vale um alerta para os pais que fumam ou bebem, pois mesmo sendo considerado uma droga lícita, não deixa de ser classificada como tal. A necessidade de imposição de limites se faz necessária, pois um filho que não aceitou um “não” em casa vai ter mais dificuldade para dizer “não” às drogas. Oferecer limites não é fácil e geralmente passa pelo monitoramento dos pais. É de fato importante, perguntar ao adolescente onde vai, com quem e estipular horários de volta. As novas gerações tem evitado ter esse trabalho ou sentem-se constrangidas com essa postura. Mas não há como pular essa etapa impunemente.

O grande desafio é encontrar um jeito de transformar o “jovem de esponja” em “jovem de filtro”. A esponja apenas absorve e acumula informações, mas o filtro tem senso crítico suficiente para interpretar, questionar, rejeitar e debater essas informações e isso só se faz com a experiência e o exercício do convívio.

Para moldar as retículas desse filtro, os pais precisam estar perto, acompanhando a vida dos mesmos. Cada vez mais, os pais atuais tem menos tempo de estar com os filhos e esse tempo que muitas vezes não é investido, pode se transformar no mesmo tempo que necessitará levar o filho para uma clínica de recuperação ou ficar aos cuidados  especializados para melhorar a situação familiar do futuro ou atual dependente.

Caso os pais já estejam com algumas hipóteses de que os filhos já estão envolvidos com isso, não devem pensar duas vezes ao procurar um psicólogo para auxiliá-los, porque a primeira reação que se tem, é de negar que isso seja uma verdade e com isso, muitos pais acabam aumentando o problema.

Quando uma criança começa a andar e cai, a primeira reação é olhar para a mãe ou o adulto a sua volta. É esse cuidador quem lhe dirá qual atitude ter naquela situação e isso se reproduz em todas as outras situações da nossa vida. Para tal, uma boa alternativa é usar a sinceridade e confessar para o filho seus sentimentos, até mesmo porque nenhum pai tem a resposta para todas as dúvidas. Por estarem em uma posição de autoridade, geralmente querem passar aquela imagem de que estão seguros e que sabem o que deve ser feito. Se agir assim vira regra, perdemos o saber que ao mesmo tempo que educamos, também estamos aprendendo e a troca de um com o outro é a fortificação contra o veneno das drogas.

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Karine Rizzardi
CRP 08/09524
A autora é psicóloga especialista de Casais e Família

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