04
mar/17

A borboleta e o cavalinho

Será que essa estória se assemelha com histórias de casais?

Havia numa floresta, uma borboleta e um cavalinho. Eles não tinham praticamente nada em comum, mas o tempo fez com que eles se aproximassem e criassem um elo.

A borboleta era livre e voava passeando pela floresta, enfeitando o céu com sua presença. O cavalinho, porém, era limitado, pois não era um bicho solto. Certa vez colocaram um cabresto sobre ele e ele teve sua liberdade cerceada.

A borboleta tinha muitas amizades vindas de todos os animais da floresta, mas o que ela gostava mesmo era de ficar fazendo companhia para o cavalinho; Não por pena, mas por afeição, dedicação, carinho e companheirismo. Assim, todos os dias, ela ia visita-lo e quando chegava levava um coice do cavalo, mas depois vinha um sorriso.

Todos os dias o cavalo insistia para que a borboleta o ajudasse a carregar o seu cabresto, pois era muito pesado. Ela, no entanto, fazia tudo o que podia com carinho, mas nem sempre conseguia pelo fato de ser uma criaturinha tão frágil.

Os anos se passaram e em uma manhã de verão a borboleta não apareceu para visitar o seu companheiro. Ele, porém, nem percebeu sua falta, pois estava focado em tirar o cabresto das costas. Assim foi um dia, mais outro dia e quando chegou o inverno, o cavalinho sentiu-se só e finalmente, percebeu a ausência da borboletinha.

Resolveu sair do seu canto e foi caminhando a procura dela, observando todos os cantinhos onde ela poderia estar se escondendo, até que de repente, apareceu um elefante e perguntou quem ele era e o que estava fazendo por ali.

– Eu sou um cavalo com um cabresto e estou a procura de uma borboletinha!

– Ah, então você é o famoso cavalinho?

– Famoso? Eu?

– Pois é, eu tinha uma amiga borboletinha que falava muito de você.

– Essa que procuro, é uma borboletinha alegre, sempre sorridente. Todos os dias ela visitava os seus amigos na floresta, enquanto ia passear.

– Ah, então é dela mesmo que estamos falando. Você não soube o que aconteceu? Ela morreu já faz muito tempo.

– O que? Ela morreu? Como assim?

– Pois é, veja só: Alguns dizem que ela ia todo dia visitar um cavalo, assim como você, mas ele sempre dava-lhe um coice quando a via. Ela chegava com marcas horríveis na pele e todos perguntavam quem tinha feito aquela malvadeza para ela, mas ela não contava, pois ela queria falar das visitas boas que tinha feito naquelas manhãs e era ali que ela falava de você.

Nessa hora o cavalinho já estava caindo no choro de tanto de arrependimento e tristeza. “Mas ela nem mandou me chamar?”, perguntou o cavalo: “Todos nós pensamos em te chamar, mas ela não queria porque dizia que você tinha coisas mais importantes para fazer e situações muito maiores com o que se preocupar.”

  Moral da história: Nós podemos ser cheios de cicatrizes das feridas que nos causaram um dia, mas há algumas marcas que podem ser irreversíveis. Cuide de seus pais, seus filhos, seu(sua) esposa(o), pois você também pode estar machucando pessoas sem perceber as marcas que está deixando.

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Karine Rizzardi
CRP 08/09524
A autora é psicóloga especialista de Casais e Família

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